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Uma Guerra de Estratégias

setembro 5, 2009

As tensões se afunilaram e a guerra já não podia ser evitada. Assim, começava a Guerra de Estratégias sobre mapas, números, poderes…

Império Alemão:

A Alemanha seguiria o plano lançado pelo conde Schlieffen, de caráter tanto defensivo quanto ofensivo. Com a contribuição de outros, incluindo o Chefe do Estado-Maior da Alemanha em 1914, Helmuth von Moltke, o Plano Schlieffen consideraria a guerra inicialmente em  duas frentes de batalha: contra a França no oeste e contra a Rússia no leste. Não menosprezando o enorme exército russo, com seu interminável suprimento de homens, Schlieffen partiria do pressuposto que os russos levariam seis semanas ou mais para mobilizar efetivamente suas forças, pobremente conduzidas e equipadas como eram.

 Apoiado nesta hipótese, Schlieffen elaboraria uma estratégia para tirar a França da guerra nestas seis semanas. Para atingir este objetivo, ele deslocaria a maior parte das forças germânicas para o oeste num ataque avassalador tendo Paris como objetivo e deixaria apenas forças suficientes para conter os russos depois do processo de mobilização. Depois de neutralizar a França, os exércitos do oeste seriam deslocados para o leste afim de enfrentar a ameaça russa.

Para atacar a França, von Schlieffen determinaria a invasão através da Bélgica. Devido a razões táticas, como também políticas, uma invasão através da Holanda foi descartada. Além disso, a Suiça, ao sul, era geograficamente à prova de invasão. A passagem pelas planícies de Flandres seria a rota mais rápida para a França e para a vitória.

Trabalhando com um prazo muito curto, cinco exércitos alemães avançariam através da Bélgica e da França num grande movimento circular, voltando-se através das planícies de Flandres para o nordeste da França. As forças alemãs se moveriam da Alsácia-Lorena a oeste através da França, em direção a Paris.

Flanqueando os exércitos franceses, o objetivo seria atacar pela retaguarda, onde os franceses seriam provavelmente mais vulneráveis. Uma pequena força alemã guardaria a divisa franco-germânica, incitando os franceses a avançar, depois do que poderiam ser atacados na retaguarda pelo grosso do exército alemão, garantindo o cerco e a destruição.

Além disso, Schlieffen previa que o grosso da resistência francesa estivesse na própria França, e não na Alemanha. Mesmo ao recuar, o que não fazia absolutamente parte do plano, os alemães poderiam entrincheirar-se bem dentro do território francês.

Assim, os alemães cavariam trincheiras profundas e sofisticadas, visando ficar onde estariam e preparando um avanço posterior.

 

França:

A França entraria na guerra com o objetivo principal do Plano XVII, elaborado por Ferdinand Foch e aperfeiçoado pelo Comandante em Chefe francês Joseph Joffre: recapturar o território da Alsácia-Lorena.

De natureza inteiramente ofensiva, o Plano XVII baseava-se principalmente na crença mística do “elan vital”, um espírito de luta cujo poder seria capaz de vencer qualquer inimigo, que se imaginava instilar em cada combatente francês. Acreditava-se que todo soldado francês seria superior a qualquer soldado alemão. Esta presunção foi levada tão a sério que muitos oficiais franceses foram demitidos do exército durante o início da guerra devido à falta de espírito de luta, inclusive o general Lanzerac, depois da derrota do exército francês em Charleroi.

O Plano XVII previa o avanço de quatro exércitos franceses na Alsácia-Lorena pelos dois lados da fortaleza de Metz-Thionville, ocupada pelos alemães desde 1871. A asa sul das forças de invasão capturaria primeiramente a Alsácia e a Lorena, nesta ordem. Enquanto que a asa norte, dependendo dos movimentos dos alemães, avançaria para a Alemanha através das florestas de Ardennes, no sul, ou então se moveria a noroeste, na direção de Luxemburgo e da Bélgica.

Os arquitetos do Plano XVII, incluindo Joseph Joffre, não deram muita importância a uma possível invasão da França com os alemães atravessando a Bélgica um pouco antes da declaração de guerra.

Antes de estourar a guerra, Joffre e seus conselheiros estavam convencidos de que a ameaça de um envolvimento britânico impediria a invasão da Alemanha através da Bélgica.

 

Império Austro-Húngaro:

 Os austro-húngaros partiriam para a guerra imaginando que esta ficaria limitada à Sérvia.

O Plano B, para os Balcãs, detalharia a necessidade de seis exércitos austro-húngaros: três para invadir a Sérvia e outros três para guardar a fronteira com a Rússia e evitar um ataque vindo deste lado.

O Plano R, para a Rússia, revisaria essencialmente o Plano B. Previa um volume maior de tropas para evitar a ajuda dos russos aos sérvios ao sul, enquanto esperava a atividade da Alemanha ao norte.

 

Rússia:

 A Rússia elaboraria dois planos totalmente diferentes. O Plano G assumiria que a Alemanha iria começar a guerra com um ataque maciço contra a Rússia. Estranhamente, o Plano G contentaria-se em permitir que os alemães ultrapassassem as fronteiras russas, com a conseqüente perda de território e de homens em larga escala, dependendo da mobilização do exército russo se completar.

Os militares russos imaginavam que o país poderia absorver uma série de derrotas no início da guerra, tal era a reserva de homens disponível. Uma vez efetivamente mobilizados, acreditavam que o exército russo expulsaria os alemães do seu território. Napoleão havia falhado em conquistar a vastidão da Rússia e acreditava-se que a Alemanha falharia da mesma maneira.

Pressionados pelos franceses, os russos teriam que elaborar um plano mais ofensivo. O Plano 19, também conhecido como Plano A, era menos drástico no sacrifício inicial de seus homens. Elaborado pelo general Danilov em 1910 e substancialmente modificado em 1912, assumiria que a Alemanha iniciaria a guerra com um ataque contra a França, e não contra a Rússia, sendo este o caso, dois exércitos russos avançariam em direção ao centro da Alemanha. Ao mesmo tempo, a Rússia usaria uma defesa de praças fortes contra as forças invasoras.

 

Inglaterra:

Os britânicos não elaborariam uma estratégia de guerra geral no mesmo sentido que seus aliados e inimigos. Contrariamente a essas potências, a Inglaterra não mostrava grande desejo na deflagração e não tinha planos de expansão, apesar de se preocupar em proteger seus interesses, particularmente os elos comerciais com os pontos distantes do seu império. Porém, com a entrada do Império Turco-Otomano, o petróleo da região e a tomada de Jerusalém fariam os ingleses se empenhar na Frente da Mesopotâmia, uma vez que seria um alívio para as despesas com a Marinha Real.

 

Sérvia:

 O plano sérvio para a guerra era simples: após a declaração de guerra, o exército seria dobrado, de cinco para dez divisões, e colocado em prontidão para atacar o Império Austro-Húngaro assim que as intenções táticas do rival ficassem evidentes.

 

Império Turco-Otomano:

Apesar de entrar depois dos conflitos já estarem avançados, o Império Turco-Otomano correria atrás dos territórios perdidos na primeira década do século XX, na conflituosa região dos Bálcãs.

 

Estados Unidos:

 Impedir que França e Inglaterra perdessem, uma vez que os estadunidenses emprestavam dinheiro pros franceses e ingleses, e se estes perdessem, sairiam perdendo também.

Sobre o petróleo do Império Turco-Otomano, os estadunidenses não podiam fechar os olhos para a oportunidade. Começava a questão do petróleo.

 

Japão:

Anexar territórios em solo asiático. Territórios ricos em matéria prima mobilizariam os japoneses para cima dos chineses.

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Um comentário

  1. Muito bom!



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